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Uma nova Gestão de Pessoas

gestão de pessoas nos negócios

Estamos enfrentando uma epidemia global com uma dimensão sem precedentes que impacta profundamente a forma como vivemos e nos relacionamos. Uma crise incomum que, diferente das demais, afetou todos os setores: saúde, educação, negócios, geração de renda, empregos e principalmente a vida do ser humano. Da noite para o dia a capacidade de adaptação passou a ser questão de sobrevivência e o futuro foi antecipado.

O mundo passou a operar sob as regras do isolamento social. Empresas precisaram de reinventar, a definição de trabalho foi atualizada e nunca se falou tanto em colaboração, solidariedade e empatia. Os dilemas provocados pela transformação digital, que antes deste cenário eram discutidos pelo viés de “robôs ou humanos”, agora deram espaço à integração do humano à tecnologia. Tenho a impressão de que nunca a palavra humano foi tão usada. 

Ouço que o mundo é sobre as pessoas, que as pessoas são o foco. Pessoas são o que realmente importa. Será?

Será que estamos aprendendo que o que realmente importa são as pessoas, e que a tecnologia é um meio? Minha reflexão é dentro deste questionamento, sobre a valorização das pessoas no ambiente de trabalho.

Uma recapitulação da Gestão de Pessoas

Por décadas a expressão “as pessoas são o ativo mais importante de uma empresa” soou – e ainda soa – como linguagem da área de recursos humanos, sendo usada apenas para ilustrar o propósito da organização, não refletido em ações práticas.

Embora o mercado viesse há tempos dando sinais de que o mundo mudou e que as pessoas mudaram, ainda encontramos empresas que operam no modelo de gestão baseado em controle e comando. Este é um modelo que até pode funcionar pontualmente, mas não funciona ao longo prazo. Profissionais insatisfeitos estão pelo mundo afora e não contribuem para o resultado da organização, pelo contrário, entregam os piores resultados.

Em 2017 a Gallup divulgou o resultado de um estudo sobre o grau de insatisfação dos trabalhadores nos seus empregos, dentro de um período de 24 meses. A análise apontou que 72% dos entrevistados não gostam do atual emprego. Desse total, 18% estão desengajados e têm interesse em prejudicar a própria empresa.

Pesquisas demonstram que os profissionais buscam fazer parte de empresas que tenham uma cultura voltada para pessoas, com ambiente colaborativos, com transparência e que possam ser ouvidos.

Um estudo da Consultoria Businessolver apresentado em 2019, feito com mais de 1.800 profissionais dos Estados Unidos (sobre o que é ser empático e como os profissionais enxergam a empatia nos negócios), revelou que: 93% dos profissionais estão propensos a continuar sua carreira em um empregador empático, 82% consideram deixar o atual emprego para trabalhar em uma empresa mais empática e 78% trabalhariam mais horas por um empregador empático.

Simon Sinek, autor dos best-sellers “Comece pelo porquê” e “Encontre seu porquê”, nos diz que “100% dos clientes são pessoas, 100% dos empregados são pessoas. Se você não entende de pessoas, você não entende de negócios.”

Acredito muito nisso. Se você não consegue entender de gente e não consegue entender as pessoas que trabalham para o seu negócio, você não terá resultados tão cedo. Nunca duvide da diferença que pessoas fazem nos resultados de um negócio. 

Vale lembrar de Márcio Fernandes, ex-CEO da distribuidora de energia Elektro  que implementou na companhia um novo estilo de gestão com foco nas pessoas, chamado de Filosofia de Gestão, tornando a empresa mais eficiente e lucrativa, atingindo um EBITDA (acrônimo para “Lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização”) de quase 1 milhão de reais.

Em 2012 a companhia, pela primeira vez no ano, figurou no ranking mais cobiçado do Guia Você S/A, como a Melhor Empresa do Ano com índice de felicidade no trabalho de 92,5%. Em 2013 foi considerada a Melhor Empresa para se Trabalhar no Brasil, pela  Great Place to Work. Em 2014, participando da mesma pesquisa, atingiu uma pontuação inédita, sendo a número um nos rankings da GPTW com índice de satisfação dos colaboradores de 98,3% e, em 2015, subiu para 99%. 

Márcio provou que pessoas felizes e engajadas dão lucro, porque se sentem parte do processo.

“Ninguém aumenta a própria eficiência e a produtividade geral da empresa quando se sente descrente, impotente e infeliz. O fim da inércia dos colaboradores torna a empresa ao menos 30% mais competitiva.”

Sempre acreditei no poder do engajamento e da valorização das pessoas. É preciso mostrar às elas o sentido daquilo que fazem, não importa o que façam, se é apertar  parafuso, desenvolver um novo produto ou vender algo. É preciso mostrar à elas o sentido do que estão fazendo, para que se sintam parte do negócio, parte da solução. Você mesmo não se engajaria em algo que não acredita e que não faça sentido, certo? É preciso criar senso de pertencimento!

Se as pessoas não vêem sentido naquilo que fazem, executam somente para cumprir a meta e o que está no contrato de trabalho. E, muitas vezes nem isso, porque não sabem ao certo o por que de terem sido contratadas. Apenas o fazem automaticamente.

O ambiente é de incerteza, mas à medida que esta crise global avança, demonstra  que o ambiente econômico, político, dos negócios e principalmente o social, jamais serão os mesmos. As pessoas voltarão mudadas. Colaboradores voltarão mudados. Líderes voltarão mudados. Seus clientes definitivamente não serão os mesmos. Portanto, faz sentido que as empresas analisem o contexto e comecem a desenhar um novo modelo de gestão.

Como isso pode ser feito?

5 dicas para redesenhar o modelo de gestão de pessoas da sua empresa

  • Revisar a cultura organizacional: as consequências da crise são imensas e será necessário uma cultura mais inovadora. Não há como  passar por  mudanças e transformações sem olhar para a cultura da empresa na essência. Culturas inflexíveis e sem alinhamento com este novo mundo não sobreviverão. Lembre-se que se o mundo é humano, as pessoas precisam estar alinhadas ao propósito da organização.
  • Sensibilizar as lideranças: desenvolva habilidades de soft skills nas lideranças. Certamente eles passaram um bom tempo focados nas competências técnicas e operacionais e agora precisarão desenvolver competências mais subjetivas da gestão, para serem capazes de entender pessoas. Esses líderes terão de aprender a encontrar o equilíbrio entre pessoas e resultados. Crie um ambiente de apoio ao líder, porque, ao saber que ele pode contar com a empresa, fará com que crie este mesmo sentimento em suas equipes.
  • Pratique comunicação clara e autêntica: Comece a comunicar de forma clara e transparente a visão de futuro da empresa. Os colaboradores precisam saber quais os objetivos estratégicos, portanto, dê espaço para as pessoas falarem e serem ouvidas. Gerar confiança será fundamental daqui para frente, então ouça de maneira genuína e alinhe as expectativas. Identifique os colaboradores valorizam.
  • Troque o feedback pelo feedforward: Tenha conversas significativas alinhando metas e novas habilidades com foco no futuro. Ao invés de dizer o que a pessoa faz de errado, diga como ela pode melhorar. Desenvolva nas pessoas a capacidade fazer perguntas para obter as respostas. 
  • Fale sobre Inteligência Emocional: Desenvolver as pessoas em habilidades socioemocionais como empatia, autopercepção e percepção social é essencial. É preciso aprender a gerir as emoções de maneira inteligente e isso faz toda a diferença para trabalharmos com equipes cada vez mais multidisciplinares e de diferentes perfis. 

Ao aplicar estas 5 dicas básicas, você, seu negócio ou suas equipes começarão a sentir a diferença na gestão, aumentando o índice de satisfação dos colaboradores – e até mesmo o seu.

Daqui, sigo com minhas inquietações e acreditando no valor das pessoas. É nas pessoas que está a essência da transformação.

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