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Mulheres e a coragem para liderar

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Em uma realidade que a mulher representa grande parte da força de trabalho no mundo, apesar dos avanços neste sentido, as que ocupam cargos de liderança, ainda são minoria. De acordo com estudo da 15ª edição da International Business Report (IBR – Women in Business 2019) realizado pela Grant Thornton, no Brasil a proporção de mulheres em cargos de liderança foi para 25%, quatro pontos percentuais menor em relação a 2018 e saindo da média global de 29%. 

Nunca se discutiu tanto sobre a participação da mulher no mercado de trabalho, igualdade de gênero e empoderamento feminino nas organizações. Empresas estão saindo do discurso para a prática. 

Mas além destas barreiras externas, existem outras que impedem a mulher de assumir cargos de liderança. São as barreiras internas que estão arraigadas nas próprias mulheres, como o medo, insegurança e a falta de autoconfiança. 

Esta reflexão me lembrou uma conversa que tive com uma amiga. Estávamos na sala de reunião de uma empresa onde na parede havia fotos de todos os presidentes, não lembro quantas fotos, mas certamente mais de dez, sendo que destas, apenas uma mulher presidente, e isso recentemente. Quando olhei as fotos, comentei: “Poxa, olha só quanto tempo esta empresa demorou para ter uma mulher na presidência.” E minha amiga disse: “Ale, acredito que isso acontece em outras empresas também, porque as mulheres também não estão dispostas a assumir a “presidência” ou não dizem que estão dispostas. Temos culpa nisso.” 

Sheryl Sanderg, Chefe de Operações do Facebook, em seu livro, “Faça Acontecer, mulheres, trabalho e a vontade de liderar”, cita que as mulheres deixam de assumir papeis importantes por medo e insegurança ou por acharem, mesmo inconscientemente, que ambição é um comportamento masculino. Os homens não esperam estar preparados para assumir desafios, eles simplesmente assumem, enquanto as mulheres, não acreditam na sua capacidade. É a chamada síndrome do impostor.

Michelle Obama ex-primeira dama dos Estados Unidos, relata que também passou por isso em sua trajetória. Numa viagem que fez à Ásia para promover a educação de meninas, disse que cresceu ouvindo que não era boa o suficiente e que liderança era para homens. Apesar da “síndrome do impostor”, seguiu em frente e estudou em duas das melhores universidades, Princeton e Harvard e diz que as mulheres precisam acreditar mais em si mesmo para ocupar o seu lugar no mundo.

“Estou dizendo a vocês: existem muitas pessoas que estão no topo, mas não pertencem a esses lugares. Disseram a eles que pertencem, mas não pertencem. Só que existe a presunção. Então não contem com outras pessoas para lhes dar autoconfiança. Nossa sociedade não funciona assim.”

Outro ponto interessante é que especialistas em carreira apontam que a autoconfiança baixa das mulheres no ambiente profissional, contribui para a estagnação da ascensão profissional.

E de fato, escuto constantemente relatos de mulheres que estão em dúvida se aceitam ou não, assumir um novo cargo ou iniciar um novo projeto, por acharem que não estão suficientemente preparadas e outras que ficam na posição de “vítimas”, alegando não ter voz, que não são ouvidas pelo chefe, colegas ou pares.  

Fico me questionando, o quanto estas barreiras impedem essas mulheres de avançarem e conquistarem seu lugar? Também passei por isso no início da minha trajetória profissional que foi trilhada em uma grande multinacional em um ambiente predominantemente masculino. Costumo dizer que aprendi na prática o que mais tarde fui conhecer a teoria na universidade. 

Tive de aprender a me posicionar, a “sentar à mesa” e ocupar meu lugar e isso não é fácil. Não é algo que conseguimos dominar rapidamente. A insegurança e o medo, estavam presentes. Foi preciso muita resiliência e autoconhecimento para confiar no meu poder próprio e aceitar que nem sempre estaria 100% preparada, mas a minha capacidade de aprender e me adaptar era mais importante do que estar 100% preparada. Em muitos momentos ninguém venho me perguntar se eu tinha vontade de assumir novos desafios. Se eu não “levantasse a mão”, me colocando na posição de estar disposta, provavelmente, não teria avançado na carreira de maneira exponencial. Raramente vi colegas, homens, deixarem de assumir posições mais pujantes por conta de falta de autoconfiança, ponderavam outras questões como, salário e mobilidade.

Leila Vélez, CEO da empresa Beleza Natural Rede de Beleza especializada em cabelos crespos, numa entrevista sobre mulheres na liderança, declarou que:
“Essa coisa de nos cobrarmos demais, quando o homem vai, se mete à besta e fala. Às vezes, não está tão preparado para aquele desafio, mas se lança. Enquanto nós ficamos naquela coisa “não, espera aí, deixa eu ver se consigo mesmo ou não”. Nós nunca estamos prontos, mas sempre em construção. A dica aqui é tentar, fazer e aprender no caminho”.

Ainda há muito o que ser feito para que tenhamos mais mulheres em posições de liderança, seja nas organizações, na política, na educação ou na economia. Precisamos também fazer a nossa parte. Cabe a nós acabarmos com a crença que não somos boas o suficiente. Temos que nos empenhar mais para superar isso. Sabemos do potencial, da capacidade e da energia que a mulher tem para fazer acontecer. 

Que este texto inspire e encoraje as mulheres a serem mais autoconfiantes e ocuparem seu lugar para uma sociedade mais igualitária. Não tenham medo de liderar!

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